Mercado deve seguir instável entre incertezas internas e externas

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O Ibovespa, principal índice de ações da B3, não tem uma tendência clara para a próxima semana em função de incertezas no ambiente interno e externo. O Índice Bovespa caiu pela quinta vez seguida na sexta-feira (10), acumulando baixa de 6% na semana, aos 76.229* pontos, enquanto o dólar subiu para a faixa de R$ 3,85 na venda.

Segundo a análise técnica, o Ibovespa acionou o citado gatilho de venda na perda dos 78.573 pontos. Enquanto abaixo deste patamar, pode ceder rumo aos 75.895 pontos, inicialmente, ou mesmo 72.617 pontos. Para cima, teria que superar os 81.792 pontos para retomar o movimento comprador, neste caso rumo aos 83.850 pontos, inicialmente, onde pode sentir nova resistência.

Na B3, o investidor institucional, maior participante do mercado, segue vendido em 123.016 contratos de índice futuro e aumentando sua posição desde o início de agosto. Os estrangeiros, por sua vez, estão comprados em 118.207 contratos e parecem bem felizes assim. Bancos e corretoras também estão comprados, mas já vêm desmontando esta posição desde meados de julho.

Por um lado, os investidores carecem de indícios concretos rumo às reformas econômicas cruciais para o Brasil, atentos ao desenrolar das eleições presidenciais. Isso se traduz em um sobe-e-desce dos preços dos ativos, muitas vezes impregnado de ruídos que se espalham nas mesas de operação.

Depois de um debate fraco na TV Bandeirantes, a pesquisa XP/Instituto Ipespe mostra Jair Bolsonaro ampliando a liderança ante os demais candidatos, com destaque para o petista Fernando Haddad que, em cenário apoiado por Lula, aparece empatado, tecnicamente, em segundo lugar com Geraldo Alckmin, Marina Silva e Ciro Gomes.

Na outra ponta, esse movimento lateral deixa o Índice Bovespa sensível a sucumbir aos ajustes das bolsas internacionais. E lá fora, o mar não está pra peixe emergente.

Com o aumento de riscos envolvendo países em desenvolvimento, protagonizado nesta sexta-feira pelo cenário caótico na Turquia em meio ao pronunciamento do presidente do país sobre um novo modelo econômico, investidores migram para títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Do ponto de vista de grandes casas globais de investimentos, nações como Turquia, Brasil e Argentina são tudo farinha do mesmo saco. Em caso de pânico com algum vizinho de rótulo, ainda sofremos a reboque. Se as coisas ficam realmente ruins, os investidores estrangeiros vendem, indiscriminadamente.

Neste contexto de flight to quality, atenção na próxima semana para a agenda de indicadores econômicos, considerando que o Fed tem ancorado as expectativas em torno do ritmo de aumento do juro básico americano.

Destaque para o número de licenças para construção de novas casas, na quinta-feira (16), e para o índice de confiança do consumidor calculado pela Universidade de Michigan, na sexta-feira (17). Também serão conhecidos dados de desemprego, produção industrial e vendas do varejo na China, na noite de segunda-feira (13).

Para completar, a temporada de resultados corporativos do segundo trimestre também tem influenciado o dia a dia das cotações na Bolsa. Magazine Luiza figurou entre os destaques positivos, enquanto Natura sofreu com a queda no lucro líquido.

Para a próxima semana estão previstas as publicações dos demonstrativos de Eletrobras, Even, Locamerica, Oi, São Martinho, Banrisul, Cesp, Copel, Itaúsa, Kroton, dentre outros.

Resumo da semana

Enquanto Donald Trump tem motivos para rir à toa, a Europa passa calor com seus vizinhos. A Ásia segue correndo, obstinadamente, para pôr as contas em dia e o Brasil segue como sempre: insegurança é a palavra de ordem.

Aqui o investidor precisa de estômago. No primeiro pregão da semana, o otimismo com a campanha do queridinho do mercado, Geraldo Alckmin, impulsionou a Bolsa para além dos 81.000 pontos, mas logo a insegurança começou a fazer preço, com o boato de uma suposta delação premiada de Laurence Casagrande Lourenço, ex-presidente da Dersa e ex-secretário de transportes de Alckmin, além de rumores de um forte crescimento do PT.

E assim andou o investidor no Brasil, notícia a notícia, boato após boato, sambando para performar bem durante a corrida presidencial. Como se já não bastasse todo o clima de incerteza, ganhou destaque o agravamento do quadro fiscal com o reajuste de 16,38% do STF. Este pequeno mimo para o judiciário pode gerar uma despesa extra de 4,5 bilhões de reais ao ano em um efeito cascata das contas públicas da União e dos Estados.

Coincidência ou não, ao mesmo tempo a agência de classificação de risco Standard & Poor’s reafirmou a nota de crédito em moeda estrangeira do Brasil em BB-, com perspectiva estável. Segundo a agência, um upgrade do rating brasileiro só depende de um ajuste fiscal mais sólido.

Já no exterior, Trump parece muito satisfeito com os efeitos de sua escalada protecionista e segue advertindo os países que não querem negociar acordos comerciais mais justos: “nós (americanos) ganhamos de qualquer maneira”.

O relatório do Departamento do Trabalho dos EUA (Payroll) mostrou que a economia americana criou menos postos de trabalho do que o esperado por analistas, mas isso foi compensado pela taxa de desemprego que caiu para 3,9%.

Já no plano corporativo, nos aproximamos da reta final da temporada de balanços em Wall Street e os investidores seguem otimistas. Segundo o JPMorgan, os números desta safra foram considerados como os melhores desde 2009, endossando a força da economia americana.

Por enquanto, os investidores parecem não se importar muito com as tensões envolvendo países como a China, Irã e Rússia. Mas com a temporada de balanços caminhando para seu encerramento, os movimentos geopolíticos devem ganhar foco.

A disputa tarifária entre Estados Unidos e China não sai do radar dos investidores. As agências de notícias são unanimes em apontar a guerra comercial como trigger da derrocada chinesa.

As medidas protecionistas de Washington, já esperadas, podem entrar em vigor no dia 23. A expectativa é que o total de produtos chineses afetados por tarifas dos EUA cheguem 50 bilhões de dólares neste primeiro momento.

Segundo as autoridades americanas, a Casa Branca considera impor, ao todo, tarifas alfandegárias em mais de 200 bilhões de dólares de produtos chineses. Pequim disse que vai responder impondo tarifas retaliatórias de até 110 bilhões de dólares em produtos americanos e já pratica, desde esta quarta-feira (8), tarifas adicionais de 25% sobre 16 bilhões de dólares em importações de combustível e aço dos EUA.

E, para encerrar a semana, o investidor foi premiado com o contágio da crise na Turquia, que pintou a Europa de vermelho. A ingerência do governo de Recep Tayyip Erdogan, a falta de autonomia da política monetária e sua crise de credibilidade geraram uma inflação de dois dígitos, aliada ao risco de novas sanções por parte dos EUA. A onda de estresse tomou conta derrubando a lira turca para sua mínima histórica frente ao dólar.

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